PALAVRAS QUE CURAM

"ENVIOU A SUA PALAVRA E O CUROU"

IDOLATRIA E ADORAÇÃO

Mas, vendo o povo que Moisés tardava em descer do monte, acercou-se de Arão e lhe disse: Levanta-te, faze-nos deuses que vão adiante de nós; pois, quanto a este Moisés, o homem que nos tirou do Egito, não sabemos o que lhe terá sucedido. Êxodo 32.1
"Como o Deus sanguinário e cheio de leis do Antigo Testamento pode ser o mesmo amoroso Deus encarnado do Novo Testamento? Deus não deveria ser gracioso no Antigo assim como se revela no Novo? Por que os Judeus, o povo eleito de Deus, são tão soberbos, eles não deveriam ser também amorosos como Deus é?" Estes são questionamentos que já me foram feito algumas vezes.
Um olhar superficial sobre as Escrituras Sagradas poderá nos levar a uma precipitada conclusão de que Deus não é tão amor, assim como Jesus diz ser. Porém ao olharmos para o texto Bíblico de forma mais acurada, poderemos concluir que o tempo todo, Deus estava e está em nossos dias, derramando a sua MISERICÓRDIA e GRAÇA sobre o mundo.

No projeto de Elohiym (supremo, único, infinito, criador e sustentador do universo), continha a formação de um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras (Tt 2:11-14), para que através desse povo amado, formado ao longo de uma história de incapacidade humana, Ele se revelasse o Deus de AMOR. Porém Israel não creu e nem entendeu esse amor, ao contrário, se tornou um povo obstinado, legalista e exclusivista até hoje. Viraram as costas para Deus e andaram segundo seu coração, mergulhados na presunção de serem melhores do que todo o mundo.
Porém, como Deus é Jehová (ou Javé) - o único Deus verdadeiro, que tem o mow‘adah (tempo determinado), o kronos (tempo maior ou menor) e o kairós (medida exata, tempo certo) em suas mãos, Ele enviou o Seu Filho Jesus Cristo para manifestar a graça salvadora em sua morte vicária e inclusiva na cruz, assim como no Seu triunfo na ressurreição. Veja Colossenses 1:15-22.
Você se lembra como a história de Israel começou? Deus disse para Abrão: “em ti serão benditas todas as famílias da terra.” Gênesis 12:3. Assim, Deus foi confirmando sua Palavra na vida de Isaque, de Jacó, e através de José preservou da fome a família de seu pai Israel no Egito, onde Deus fez multiplicar os hebreus, as doze tribos de Israel. Ali no Egito o povo se tornou cativo até que, por intermédio de Moisés Deus livrou-o da escravidão física.
Jehová Elohiym (Êx. 20:5) é Deus que tem zelo por Sua palavra. Ele se revelou ao povo de Israel como o El-Shadday, O todo-poderoso (Gn 17:1); Jehová-Jiré, O Senhor que provê (Gn 22:14); Jehová-Shalom, O Senhor é paz (Jz 6:24); Jehová-Raphah, O Senhor que sara (Êx 15:26); Jehová-Nicciy, O Senhor é a minha bandeira (Êx 17:15); Jehová-Raha, O Senhor é o meu pastor (Sl 23:1); Jehová-Shammah, O Deus presente (Ez 48:35); Jehová-Tsidqenuw, O Senhor é a nossa justiça (Jr 23:6). Tudo isso para nós, na pessoa de Jesus Cristo.
Deus se revelou como o EU SOU de maneira espantosa (Êx 3:20). Ele libertou o povo de Israel da servidão do Egito revelando Seu amor gracioso, para que eles tivessem um relacionamento baseado no amor. Porém não entenderam que o pacto do Monte Sinai era a expressão da Sua graciosa vontade e que somente poderiam de fato viver como povo do Deus altíssimo, se vivessem na Sua dependência, num relacionamento de intimidade. Veja Êxodo 33:16 - Pois como se há de saber que achamos graça aos teus olhos, eu e o teu povo? Não é, porventura, em andares conosco, de maneira que somos separados, eu e o teu povo, de todos os povos da terra?
Deus se revela como o Deus incomparável (Êx. 15:11) que imagem nenhuma poderia representar. Então, falou Deus todas estas palavras: Eu sou o SENHOR, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não as adorarás, nem lhes darás culto; porque eu sou o SENHOR, teu Deus, Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem e faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos. Não tomarás o nome do SENHOR, teu Deus, em vão, porque o SENHOR não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão. Êxodo 20:1-7. Mas o que fez o povo com isso? Um bezerro de ouro como haviam aprendido no Egito! Mesmo depois da poderosa libertação na saída do Egito e das providências milagrosas de Deus no deserto, o povo respondeu com reclamações, acusações e a adoração idólatra ao bezerro de ouro.
Olhe só o problema! O contexto do capítulo 32 de Êxodo mostra que os Israelitas atribuíram a Moisés a libertação do Egito e não a Deus. Aqui está o grande problema do povo de Israel e também nosso nos dias atuais: o humanismo, isto é, o homem como objeto de adoração, de confiança e esperança. Como Moisés demorava em descer do monte o povo se rebelou e requisitou outro guia, um bezerro. Bem que poderia ser um jegue, se bem que o jegue de Balaão se mostrou muito mais sábio do que o burro do Balaão.
Embora o povo de Israel estivesse gozando da misericórdia de Deus, não queria crer em Deus, ao contrário, tinha seus olhos em Moisés, fazendo-se acreditar que foi o poder de Moisés que os tirou da escravidão. O viam como poderoso que tinha um cajado mágico e intermediava a relação entre o povo e Deus, mas não criam em Deus e sim em Moisés.
O povo Hebreu nada mais fez do que aprendeu no Egito e que é próprio da natureza humana. O deus-touro Ápis era representado por um bezerro que trazia a ideia de poder e fertilidade. É isso que o homem quer: o poder, o poder do obelisco. Ele cria uma imagem e adora o seu próprio EU. Quando nossos olhos se voltam em dependência para o homem e não para Deus, então estamos entrando na idolatria.
A idolatria é justamente isso, quando a nossa confiança, dependência e energia são depositadas em alguém ou algo senão o próprio Jehová Elohiym, o único Deus verdadeiro digno de adoração. Nem Moisés, nem o Papa, nem o pastor, nem o marido são sacerdotes privilegiados diante de Deus. Antes, por meio do único sumo sacerdote, Jesus Cristo é que temos acesso a Deus para prestar culto. Quando, porém, veio Cristo como sumo sacerdote dos bens já realizados, mediante o maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, quer dizer, não desta criação, não por meio de sangue de bodes e de bezerros, mas pelo seu próprio sangue, entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido eterna redenção. Hebreus 9:11-12.
Isso parece e deveria ser óbvio, mas na prática não é. No imediatismo e na incredulidade do povo de Israel eles rogaram por algo visível, palpável e falso, porque na verdade eles só queriam concentrar sua atenção em algo que eles criam poder produzir por si mesmos.
Isso lhe parece familiar? No imediatismo “terabytes por segundo” de nossas vidas, não queremos um Deus invisível, distante, por isso é “mais garantido” confiar no que podemos ver e tocar. Consideramos distante, pois na verdade o deus que imaginamos é um deus que deve estar pronto a nos servir quando precisamos e não como um Pai amoroso com o qual queremos um relacionamento íntimo.
A ansiedade me faz desconfiar de Deus e confiar em mim ou em outra coisa. Isso é o contrário de fé, o contrário de um relacionamento vital, o contrário de adoração. Deixo de ter tempo com Deus (Mt 6.31-34) e com o povo de Deus (Hb 3:12-13; 10:24) para dedicar tempo ao meu ídolo (diversão, trabalho, estudo, etc.), pois ele exige isso de mim. É possível então Deus passar a ser um mero ídolo para mim? Sim! Quando ao invés de ser adorado Ele passa a ser utilizado.
Você já ouviu alguém perguntar ou mesmo já se fez essa pergunta: “Por que Deus não me abençoa se eu sou fiel a Ele?” Essa é uma forte característica da idolatria que fazemos com o próprio Deus quando queremos manipulá-lo em nosso favor. Isso não é adoração! Pois muitos andam entre nós, dos quais, repetidas vezes, eu vos dizia e, agora, vos digo, até chorando, que são inimigos da cruz de Cristo. O destino deles é a perdição, o deus deles é o ventre, e a glória deles está na sua infâmia, visto que só se preocupam com as coisas terrenas. Filipenses 3:18-19.
O texto bíblico mostra que a confusão de Arão piorou quando colocou a imagem do touro representando o Deus verdadeiro. E Arão, vendo isto, edificou um altar diante dele; e apregoou Arão, e disse: Amanhã será festa ao SENHOR. E no dia seguinte madrugaram, e ofereceram holocaustos, e trouxeram ofertas pacíficas; e o povo assentou-se a comer e a beber; depois levantou-se a folgar. Êxodo 32:5-6. O texto nos leva a pensar que na sua confusão o ser humano está sempre pronto a adorar, mesmo que seja o seu dedão do pé, e que também está sempre pronto a de alguma maneira creditar algum valor ao que não tem valor algum.
No entanto, na revelação do VERDADEIRO encontramos aquele que tem todo o valor. Veja Salmos 18:31- Pois quem é Deus, senão o SENHOR? E quem é rochedo, senão o nosso Deus? Romanos 11:36 - Porque dele (Jesus Cristo), e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém! Colossenses 1:16 - pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele.
Outra característica da idolatria é quando temos tão grande admiração por nosso reflexo no espelho – a beleza – a sensação de poder – de autoridade. É a idolatria egocêntrica, onde de alguma maneira buscamos a nossa exaltação. Veja João 12:42-43 - Contudo, muitos dentre as próprias autoridades creram nele, mas, por causa dos fariseus, não o confessavam, para não serem expulsos da sinagoga; porque amaram mais a glória dos homens do que a glória de Deus.
Um sinal de alerta. O que nos acusa de idolatria? Nada nos acusa. Sabe por quê? Porque podemos continuar a cantar nossos hinos, a ler nossa Bíblia e a fazer boas obras, mas, contudo, se não cremos e vivemos na suficiência e senhorio de Cristo, não é a glória de Deus que almejamos e sim a exaltação pessoal. O que estamos buscando de necessário e fundamental para a nossa vida? Que Deus tenha misericórdia de nós!
Erica Gomes do Carmo

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