PALAVRAS QUE CURAM

"ENVIOU A SUA PALAVRA E O CUROU"

SOBERANIA DE DEUS E A VONTADE DO HOMEM - Glênio Fonseca Paranaguá

“Então enviou a seus servos a chamar os convidados para as boda: mas eles não quiseram. Ide, pois para as encruzilhadas dos caminhos e convidai para as bodas quantos encontrardes”. Mateus 22:3 e 9

Há duas posições básicas com relação ao problema da salvação do homem; ou Deus salva o homem, ou o homem se salva. Existe uma doutrina que sustenta a evolução do homem, dentro de um esquema de salvação, onde Deus é dispensável. O homem seria o agente e o paciente absoluto da salvação.

Ainda no âmbito da auto-salvação, tem-se o pensamento atenuado da ajuda de Deus. Deus é um cooperador do homem na sua salvação. Esta posição admite a participação de Deus como auxiliar. “Que Deus te ajude”
Por outro lado, há uma corrente que sustenta que Deus, como o autor da salvação do homem, e que se apresenta com algumas ramificações. Há aqueles que defendem a ação totalitária de Deus. Isto significa que o homem não tem qualquer culpa na sua condenação. Nesta situação, não há resposta do homem. Por outro lado, na história da religião, aparece aqueles que crêem que Deus é o autor da salvação, mas o homem tem uma grande participação neste empreendimento, Entre estas duas colocações apresentadas de modo radical tem surgido um conflito. E o choque entre estas duas facções tem causado grandes males na história da igreja. Trata-se especialmente do radicalismo como o assunto é abordado. Tanto o calvinismo radical, designação da posição totalitária, como o arminianismo clássico tem produzido os maiores prejuízos no seio da igreja.
Na verdade Deus é o autor soberano da salvação do homem perdido, mas moralmente responsável. Subtrair a responsabilidade humana é coisificar a pessoalidade moral do ser humano. O homem não é um mero objeto. A sua morte no pecado é espiritual e não moral. Como ser pessoal ele é eticamente responsável. E não podemos demolir ou aviltar a decisão volitiva do ser moral que é o homem. TODA A MENSAGEM DO EVANGELHO ESTÁ BASEADA NO QUERER DECISIVO DO HOMEM. “Então disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me. Porquanto, quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á e quem quiser perder a sua vida por causa de mim, acha-la-á”. Mateus 16-24e 25. “Jerusalém, Jerusalém” que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! Quantas vezes quis eu reunir os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas, e vós não o quisestes! Mateus 23:37. “Dei-lhe tempo para que se arrependesse: ela, todavia, não quer arrepender-se da sua prostituição”. Apocalipse 2:21. “O Espírito e a noiva dizem: Vem. Aquele que ouve diga: Vem. Aquele que tem sede, venha, e quem quiser receba de graça água da vida”. Apocalipse 22:17.
Mas, alguém pode refutar estes argumentos lançando textos como: “Pois ele diz a Moisés: Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia, e compadecer-me-ei de quem me aprouver ter compaixão. Assim, pois, não depende de quem quer, ou de quem corre, mas de usar Deus de sua misericórdia”. Romanos 9:15 e 16. Neste ponto nós precisamos verificar a vontade dentro de sua realidade essencial. O querer deve ser encarado sob dois ângulos: aquele que procede da natureza e aquele que deriva de uma decisão. O querer que vem do coração é um fruto e o que vem se origina de uma decisão é um evento. Determinado cidadão foi confrontado por um revolucionário intransigente e odiento, que tentando denegrí-lo a força, com ameaça de morte, a violentar a sua filha. Como ato de seu coração ele não queria morrer, mas como decisão moral ele aceita a morte. A vontade como um evento moral é da responsabilidade humana.
Para a nossa avaliação vejamos um diálogo registrado num jornal no dia 20 de dezembro de 1784, entre Carlos Simeão, um calvinista adequado,e, John Wesley, um arminiano de postura. Observemos neste diálogo a clareza da soberania divina diante da responsabilidade moral do homem. Disse Carlos Simeão: “Senhor, entendo que que Senhor seja chamado de arminiano: e algumas vezes tenho sido chamado de calvinista; portanto suponho que devemos desembainhar as espadas. Porém, antes de consentir iniciar o combate, com sua permissão far-lhe-ei algumas perguntas... Diga-me, o Senhor, se sente uma criatura depravada, tão depravada que nunca teria teria pensado em voltar-se para Deus, se Deus não tivesse tornado o seu coração? – “Sim” replicou o veterano, “Sinto-o realmente”. E desespera totalmente de tornar-se aceitável perante Deus por qualquer coisa que possa fazer; e espera na salvação exclusivamente através do sangue e da justiça de Cristo. – “Sim, unicamente por meio de Cristo”. – Mas, Senhor supondo-se que foi inicialmente salvo por Cristo, de um modo ou de outro, o Senhor, não acredita que agora tem de continuar salvo por suas próprias obras? – “Não, mas terei de de ser salvo por Cristo do principio ao fim”. – “Admitindo, portanto, que foi inicialmente convertido pela graça de Deus, o Senhor, de um modo ou de outro não tem que manter-se salvo por seu próprio poder? – “Não”. – Nesse caso, então. O Senhor tem que ser sustentado, cada hora e momento por Deus, tal como uma criança nos braços de sua mãe? – “Sim, inteiramente”. – E toda a sua esperança está firmada na graça e misericórdia de Deus, para ser preservado até o seu Reino celeste? – “Sim, não tenho esperanças senão nEle”. – Então, o Senhor, com a sua permissão embainharei novamente a minha espada; pois esse é todo o meu calvinismo: essa é a minha eleição, minha justificação pela fé, minha perserverança final: em suma, é tudo quanto mantenho, e é conforme o sustento; portanto, se lhe parece bem, em lugar de buscarmos termos e frases que serviriam de base de luta entre nós, unamos-nos cordialmente naquelas coisas sobre as quais concordamos”.
“Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus” Filipenses 2:5. “Completai a minha alegria de modo que penseis a mesma coisa, tenhais o mesmo amor, sejais unidos de alma, tendo o mesmo sentimento. Nada façais por partidarismo, ou vanglória, mas por humildade, considerando-se cada um os outros superiores a si mesmo”. Filipenses 2:2 e 3

Glênio Fonseca Paranaguá


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