PALAVRAS QUE CURAM

"ENVIOU A SUA PALAVRA E O CUROU"

LIBERTANDO A VONTADE - Glênio F. Paranaguá

Uma das questões mais interessantes do ponto de vista teológico é o livre arbítrio. Seria o homem na verdade livre para decidir voluntariamente em favor da sua salvação? Quem é escravo do pecado, portador de uma natureza essencialmente pecadora, inclinado intencionalmente para a rebeldia, governado por um coração inteiramente corrupto pode decidir livremente por Deus e pela sua salvação? A vontade não é livre, pois o homem é escravo do pecado. Em verdade, em verdade vos digo: Todo o que comete pecado é escravo do pecado. Jo 8:34.


A vontade não é livre ...as afeições amam como amam e a vontade escolhe como escolhe por causa do estado do coração, e...o coração é enganoso acima de todas as coisas e desesperadamente corrupto.
Martinho Lutero dizia: Tenho mais medo do que está dentro de mim do que aquilo que vem de fora. Ele estava apontando para a nossa natureza pecaminosa. A desobediência, a rebeldia, a incredulidade no homem é como o veneno na serpente : está no lugar certo. O homem é por natureza contrário a Deus e não tem a menor vontade em buscá-lo. Não há ninguém que entenda; não há ninguém que busque a Deus. Rm. 3:11. Visto que o homem é depravado, ele não fará perguntas de valor eterno enquanto não for acordado de sua ilusão temporal. A vontade inata é inapetente com relação a Deus e o seu Reino. O homem está disposto a coroar qualquer coisa, menos Cristo, afirmava Thomas Brooks. Não há interesse espontâneo no coração para buscar o Reino de Deus. O egoísmo inerente não permite que vejamos outra coisa senão a nós mesmos. Deus não faz parte das cogitações do homem natural. Ele foi criado por Deus, mas desde que o pecado assumiu o comando, sua caminhada tem sido na direção oposta a tudo que diz respeito a Deus, R.B. Kuiper analisou muito bem esta questão ao mostrar: Tão grande é a depravação do homem não regenerado que, embora não haja nada que ele necessite mais do que o evangelho, não há nada que ele deseje menos. Se ficasse por conta dos pecadores, totalmente depravados como são, a iniciativa de reagir com fé ao evangelho, por sua própria vontade, nenhum deles tomaria essa iniciativa.
A perversão humana é tão profunda, que a conversão do coração está totalmente fora do interesse e da capacidade do homem natural. A nossa vontade está inteiramente comprometida com o pecado que não tem vontade de se empenhar por qualquer coisa relacionada com o evangelho do Reino de Deus.
A vontade ingênita e comum precisa ser conquistada pela graça suficiente de Deus, a fim de predispor-se a querer pender para a graça de Deus. Porque Deus é o que opera em nós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade. Fl 2:13. Se Cristo veio para salvar o que se havia perdido, o livre-arbítrio não tem lugar. Não é a nossa vontade que decide receber a Cristo, mas a graça de Deus nos convence a querer a vontade de Deus. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus: aos que crêem no seu nome, os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. Jo 1:11-13. É preciso que o homem receba a Cristo voluntariamente, para ser feito filho de Deus. Mas é preciso que a graça de Deus atue na vontade humana, a fim de que esta vontade se curve diante da vontade de Deus. Quando a nossa vontade é convencida pela vontade de Deus, então, deliberadamente decidimos receber a Cristo como nosso Senhor. Somente a lei do Espírito da vida em Cristo Jesus pode nos livrar da lei do pecado e da morte. A vontade de Deus operacionada pela graça plena, liberta a nossa vontade para decidir moralmente em favor da soberana graça. Ninguém poderá ser salvo sem receber a Cristo livre, espontânea e voluntariamente. E ninguém poderá receber a Cristo deste modo, se a sua vontade não for libertada da escravidão do pecado pela graça de Deus.
Primeiro, Deus nos buscou por meio de Jesus Cristo, nos levando depois, a buscá-lo como resultado de nossa opção. Ele nos fez agradáveis a si mesmo no amado, para que nós pudéssemos recebê-lo agradavelmente. Ele nos aceitou para que o aceitássemos. Ele nos amou, para que nós o amássemos. Nós o amamos porque Ele nos amou primeiro. I Jo 4:19. Ele nos escolheu, para em seguido nós o preferirmos. Não me escolheste vós a mim, mas eu escolhi a vós. Jo 15:16. Ele conquistou a nossa vontade, para que a nossa resolução fosse livre e moralmente responsável. Calvino dizia: Querer é humano: Querer o que é mau é próprio da natureza decaída, mas querer o que é bom e próprio da graça. Nós só podemos desejar o evangelho, porque ele alcançou a nossa vontade antes. O pecador, em sua natureza pecaminosa, nunca pode ter uma vontade eu concorde com Deus. É preciso que a nossa vontade seja ganha pelo convencimento do Espírito Santo, para
que possamos espontaneamente deliberar em favor do evangelho. Foi a vontade de Deus que adquiriu a decisão de nossa vontade 1:18. Segundo a vontade de Deus, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como primícias das suas criaturas. Tg 1:18. Foi a vontade de Deus que libertou a nossa vontade, mediante a palavra da verdade, para que pudéssemos livremente optar pelo evangelho da graça. Deus nunca violenta a nossa vontade, mas graciosamente persuade, convence, capacita, e conquista uma deliberação livre e responsável, através do conhecimento da verdade, pela Palavra da verdade. Porque pela graça sois salvos, por meio da fé: e isto não vem de vós é dom de Deus. Não vem das obras para que ninguém se glorie. Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pele palavra de Deus, viva e que permanece para sempre. Ef 2:8-9 e 1Pe 1:23. Quando a graça convence a nossa vontade, nós somos vencidos pela misericórdia de Deus no seu programa de seleção. Aqui está o maravilhoso mistério da eleição em Cristo, delineado desde os tempos eternos. Todos aqueles que buscam a Deus, foram antes tocados pela graça de Deus. Se alguém tem um interesse real por Deus, saiba que esta preferência foi inserida pelo próprio. Não é possível alguém se interessar pelo evangelho da graça, sem antes a graça transmitir esta aspiração no íntimo do ser. O anseio pela salvação é um dom de Deus. O apetite pelo conhecimento de Deus é uma transação da graça no coração do homem. Quando Deus atua em nós, a vontade, sendo modificada e docemente inspirada pelo Espírito de Deus, deseja e age não por compulsão, mas responsivamente.
Fomos escolhidos por Deus para responsavelmente termos o privilégio de escolher a Deus. Nada pode ser mais saudável do que uma vontade liberta e responsável capaz de tomar decisões que tragam o senso da correspondência moral. Todo aquele que é livre para decidir é responsável pela sua decisão. É verdade que Deus nos elegeu em Cristo, mas também é verdade, que nós somos responsáveis pela decisão que temos, em receber voluntariamente a Cristo em nossas vidas.
O pensamento mais importante que já tive foi o de minha responsabilidade individual para com Deus, dizia Daniel Webster.
Assim, minha perfeita conformidade com a vontade de Deus é a única liberdade soberana e completa, dentro de minha responsabilidade pessoal.

Glênio Fonseca Paranaguá

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